Estádios minúsculos e times semiamadores: como seria o Campeonato Catalão que pode ser o destino do Barcelona

Escrito por: Redação

A tensão na Espanha só aumenta após o referendo para separar a Catalunha da Espanha e torná-la um país independente. Até porque o “sim” venceu com quase 90%, e o presidente catalão Carles Puigdemont já apareceu em público para prometer a declaração de independência nos próximos dias. E o futebol não foge da polêmica, já que um dos maiores clubes do mundo, o Barcelona, é da região.
Se Javier Tebas, presidente da Liga Espanhola, já havia dito que, caso a independência catalã se concretize, o Barcelona e todas as outras equipes da região não poderão jogar o Campeonato Espanhol, com o “sim” no referendo – que o Governo central da Espanha rejeita e foi à Justiça dizendo que é inconstitucional – cresceram as expectativas pelo destino do gigante futebolístico da Catalunha.
Mas como seria um Campeonato Catalão de Futebol? A região possui apenas 13 times – sendo um deles o Barcelona B – entre a primeira e a terceira divisão espanholas. Fora esses, só equipes semiamadoras, que recebem apenas 6 mil euros (R$ 22,3 mil) da Federação pela participação no quarto escalão do futebol local.
Na primeira divisão, além do Barcelona e do Espanyol – que sempre foi a segunda força da cidade de Barcelona – nesta temporada o Girona também ingressou na elite. A seguir, conheça um pouco mais sobre as equipes que formariam a exótica Liga Catalã.
Espanyol – É o segundo clube mais conhecido da cidade de Barcelona. Com quatro títulos de Copa do Rei no currículo, sendo o último deles em 2006, a equipe faz o Derby catalão com o Barça, que leva ampla vantagem nos confrontos diretos por sempre ter sido o clube mais rico e vitorioso. Fundado em 1900, joga no Estádio Cornellà-El Prat, com capacidade para 40 mil pessoas. Tradicionalmente sempre foi visto pelos catalães como um clube mais alinhado com o governo espanhol, de Madri.
Girona – Fundado em 1930, o Girona, de cidade homônima, disputa em 2017 a primeira divisão espanhola pela primeira vez na história. A agremiação tem como proprietário o City Football Group, empresa criada para supervisionar e administrar uma rede de clubes e diversas áreas dentro do futebol sob tutela do Manchester City, com a Abu Dhabi United Group como matriz. Seu estádio é o Montilivi, com capacidade para 9.282 pessoas.
Reus – Outro time de cidade homômina, este clube tem 107 anos de vida. Seu estádio também se chama Camp Nou, assim como o do Barcelona, com capacidade para apenas 5 mil pessoas. O clube jamais atuou na elite, e está no segundo escalão há apenas dois anos. Éconhecido por ter um caráter mais poliesportivo, sem dedicar-se exclusivamente ao futebol. São popularmente chamados em sua cidade como “crochês”.
Gimnàstic de Tarragona – Arquirrival do Reus, o clube foi fundado em 1886 e joga no Estádio Nou, com capacidade para 14.591 pessoas. Tricampeão da Copa da Catalunha, já esteve na elite espanhola no passado – a última vez foi em 2006/07. Uma curiosidade e foi o primeiro time da história a vencer o Real Madrid dentro do Santiago Bernabéu, em janeiro de 1948, e é até hoje o único time que saiu vitorioso de sua primeira visita à casa do gigante madrilenho.
Badalona – Com 114 anos de história, o clube é da cidade homônima e atua em um estádio com capacidade para 4 mil pessoas. Nunca jogou a primeira divisão espanhola, mas passou 14 temporadas no segundo escalão. Hoje, disputa a “Terceirona”, competição ao qual foi campeão em 2005/06. O clube também foi seis vezes campeão do quarto patamar do futebol espanhol.
Cornellà – O clube, da cidade de mesmo nome, foi fundado em 1951 e atua no pequeno estádio Municipal, que suporta apenas 1,5 mil pessoas nas arquibancadas. É conhecido por seus bons trabalhos nas categorias de base, tendo revelado atletas como Jordi Alba e Keita Balde. No profissional, jamais chegou sequer à segunda divisão. Atualmente, está na terceira.
Llagostera – O time de Llagostera atua em um estádio com capacidade para seis mil pessoas e tem como cores principais as mesmas do Barcelona. No ano passado, o clube fundiu-se com o Palamós Club de Futbol e passou a se chamar Unió Esportiva Palamós-Costa Brava.
Lleida – Fundado há apenas seis anos, o clube de Lérida joga no Camp d’Esports, um dos mais antigos estádios da Espanha, com capacidade para 13,5 mil pessoas. Atualmente no que equivale à terceira divisão, o clube passou a existir depois de um time – com passagens pela elite espanhola – com o mesmo nome ter decretado falência e extinção depois de 72 anos, por dívidas de 28 milhões de euros.
Olot – O clube foi fundado em 1921 e atua em um estádio para somente 3 mil pessoas. Sua cidade tem o mesmo nome e apenas 34 mil habitantes, a 92 km de Barcelona. A equipe jamais jogou sequer a segunda divisão espanhola e está a apenas três temporadas no equivalente ao terceiro piso do futebol local.
Peralada – Com 102 anos de vida, o time da cidade de Peralada – que tem apenas 1.835 habitantes e estádio com capacidade para 1,5 mil, quase a população local inteira – virou uma filial do Girona, hoje na primeira divisão. Assim, passou a disputar a “Terceirona” com o nome de Peralada-Girona B, em vaga que foi comprada após o Gavá desistir por dívidas. Para isso, foi desembolsado 133 mil euros (R$ 494,74 mil).
Sabadell – O clube já atuou por 14 temporadas na primeira divisão espanhola – a última delas em 1988 – e 43 vezes na “Segundona” – tendo levado o título duas vezes. Hoje, atua no Estádio Nova Creu Alta, que pode receber quase 12 mil pessoas. Até 2015, tinha um japonês como presidente: o empresário Keisuke Sakamoto, que havia comprado as ações do clube por 2,5 milhões de euros (R$ 9,3 milhões), mas vendeu três anos depois por apenas 51 mil euros (R$ 189,7 mil).
Fonte: ESPN

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